Como é ficar 3 dias sem se conectar à internet? 1


Em 1995 você devia assistir Castelo Rá-Tim-Bum e Power Rangers. Deveria estar aprendendo a ler e a escrever – sendo a atividade mais desafiadora do dia, a brincadeira de forca feita pela professora na lousa. Na rua havia orelhões laranjas. Não era toda residência que possuía um telefone fixo. Celular era artigo de luxo – equivalente a um tablet como o iPad hoje em dia.

firstworldproblems

É assim que achei que ia me sentir ao final do experimento: first world problems.

Foi em 1995 que a internet começou a se popularizar. À época os maiores veículos de comunicação, como os jornais Folha de São Paulo e Estadão, começavam a inaugurar seus “websites” – ainda bem simples, com alguns caracteres e nada mais. A Folha, aliás, juntou-se à Editora Abril naquele ano para lançar o UOL – conglomerado de mídia e serviços pela internet que em 1995 atendia pela simples alcunha de “Universo OnLine”. A vida era, definitivamente, mais simples no meio da década de 1990. Mas com o lançamento dos serviços acima e do Windows 95 – que fez uma internet muito mais simples de se usar – ela começou a se popularizar.

Hoje é praticamente impossível viver sem internet. É como viver sem luz. Há uma enormidade de coisas que fazemos através do computador: falar com os amigos no facebook, dizer como está nosso dia pelo twitter, jogar poker e ler notícias. Faço diariamente, nem que seja por alguns minutos, todas as atividades que citei acima. E aí me veio à cabeça o seguinte: como seria ficar por uma semana sem fazer nada disso? Sem nem acessar e-mails? Lógico, sem ficar no facebook e twitter seria relativamente fácil. Poderia substituir os mesmos por outros na própria internet. Mas cortar de uma vez, seria possível?

Decidi que uma semana era muito tempo. Assim, com o objetivo de escrever esta crônica, fiquei 3 dias completamente sem internet. Sem mesmo. Sem acessar emails, sem facebook, sem nada. Antes que falem que é pouco tempo, os emails me são essenciais para o trabalho. Mesmo assim, sem avisar ninguém, puxei o cabo da tomada.

Acima de tudo o experimento era para mim mesmo e para o leitor refletir.

E o primeiro dia começou. Já começou estranho, haja vista que a primeira atividade do dia era desligar o despertador do iPhone e verificar se havia emails de meu trabalho. Como desliguei a internet do aparelho, só tive o trabalho de desligar o despertador mesmo. Depois, ao chegar à faculdade, novo estranhamento: não abri o G1 ao ligar o computador para saber o que estava acontecendo no mundo. Como gosto de ler notícias, tive de ir até a biblioteca folhear um jornal em edição física. A leitura, sem aqueles pop-ups intermitentes e cores, links, comentários idiotas de leitores e etc, foi mais agradável.

Depois do expediente, ao invés de acessar o facebook para conversar com amigos e ver as besteiras e artigos sobre o nada postados no news feed, acabei por assistir a novela das 6 da Globo como não fazia desde que Chocolate com Pimenta era transmitida, lá por 2003. Achei péssimo, posso afirmar. Preferia estar assistindo a um episódio de Breaking Bad pelo Netflix, mas não era possível, já que tinha uma promessa.

Banf

Trocar isso pela novela foi difícil, assumo.

No segundo dia, comecei a me incomodar. Queria saber se havia alguma proposta de trabalho em meu email, ou uma promoção para adquirir lentes de contato com desconto. Parecia que o mundo começou a me excluir. Ao final do dia um amigo comentou um resultado no campeonato de Futebol Americano que não tinha ciência porque nenhum jornal trata do assunto. No terceiro dia, já estava irritado. Os mesmos problemas apareceram. Eu estava desconectado, além da internet, do mundo.

E o experimento chegou ao fim. 60 notificações no facebook. Algumas mensagens perguntando se eu tinha morrido. Vários emails, spams e as promoções de lente de contato que acabei perdendo. No final das contas, perdi mais do que ganhei. Perdi em agilidade e em satisfazer o que eu quero – não o que me é ofertado em termos de notícias, por exemplo. Fiquei sabendo das notícias com atraso e não soube de notícias que me interessavam – seja de esportes ou da vida de pessoas que gosto. Não pude sequer me comunicar com pessoas que não vejo diariamente por estarem longe. Mas foi interessante. Afinal, só percebemos o que perdemos quando não estamos em contato com tais coisas/entes.

Este texto foi enviado por um de nossos parceiros como cortesia!

Comentários

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Um pensamento em “Como é ficar 3 dias sem se conectar à internet?

  • Tales Passos

    Sei que estou atrasado comentando 6 meses depois, mas acho essas experiências tão sem noção que não entra na minha cabeça como uma pessoa não consegue ficar sem internet por mais de um dia ou algumas horas. Se eu fizesse esta experiência, a única coisa que iria mudar era o fato de que não poderia trabalhar, pois respondo e-mails de clientes. Fora isso, tocaria a minha vida de maneira normal pois não possuo nenhum dos veículos de comunicação citados por você. Porém, desde que comecei a trabalhar, aprendi a usar a internet e, de fato, quando você sabe usa-la é interessante, pois descobri muitos sites e blogs com opiniões a respeito de assuntos de meu interesse, mas ficaria sem ela tranquilamente.