Gate: O que aconteceria se o exército moderno enfrentasse um exército de fantasia medieval?


Uma obra japonesa apresenta uma guerra entre o nosso mundo moderno contra um mundo de fantasia medieval. Conheça a diferente ideia que Gate apresenta.

[…]metralhadoras contra espadas e armaduras.

Em 2015, eu decidi acompanhar os lançamentos de animes e escolher aqueles que assistiria semana a semana, episódio por episódio. Tudo graças aos fansubs que legendam as obras em até 24 horas depois do seu lançamento no Japão. Entre as diversas obras que acompanhei, uma me chamou a atenção: Gate – Jietai Kare no Chi nite, Kaku Tatakeri – que pode ser traduzido como Portão – As forças de autodefesa lutam assim naquele lugar.

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O anti-clichê de Gate

Um tema recorrente em anime é aquele onde um individuo comum do nosso mundo – ou um grupo deles – é transportado para um mundo de fantasia. Entre os animes que passaram no Brasil, o melhor exemplo seria As guerreiras mágicas de Rayearth. Neste tipo de anime, as pessoas comuns tem de passar um sufoco tentando entender com funciona esse mundo. Sozinhas.

Já Gate oferece uma ideia que reverte este clichê.

Nos tempos atuais, abre-se um portão mágico no meio de Ginza, um dos bairros mais movimentados de Tokyo. De dentro desse portal, surge um exército de fantasia medieval, com soldados, dragões, orcs e outros monstros, que começa a matar todos aqueles na região. Apesar do ataque surpresa, o exército consegue destruir o exército com muita facilidade – afinal, são metralhadoras contra espadas e armaduras. Nem mesmo os dragões são páreos para a artilharia pesada de helicópteros.

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Com o portal ainda aberto, o exército japonês decide mandar uma pequena parte de seu contingente para vasculhar o que tem no outro lado do portal. E lá, eles descobrem que o Império – que possui curiosos costumes romanos – quiseram expandir seu território através do portal, sem saber o que teria do outro lado. Em retaliação ao exército perdido, o Império faz mais três ataques ao japoneses, que são facilmente destruídos graças a superioridade tecnológica do Japão.

Passado esta introdução, a história se foca em uma guarnição japonesa criada neste outro mundo – chamado de Área Especial pelo nosso mundo -, que tenta fazer um acordo de paz com o Império, enquanto o mesmo, tenta continuar com a guerra, enquanto descobre aos poucos o que o exército japonês é capaz de fazer.

Ao mesmo tempo, o resto do mundo quer uma parte da Área Especial. Especialmente os Estados Unidos, a China e a Rússia.



Os personagens

Originalmente uma web novel japonesa criada por um nacionalista[…]

Apesar do enredo, o anime é focado no Youji Itami, um otaku de 33 anos, que entrou para o exército para poder manter seu hobby. Entretanto, sua postura fez com que ele fosse obrigado a passar pelo treinamento de Ranger e de Forças Especiais, fazendo dele um competente soldado. Itami estava em Ginza, em sua folga, durante o ataque inicial, e graças ao seu treinamento, ele conseguiu impedir um massacre ainda maior. Ele acabou condecorado como herói, e promovido a primeiro-tenente. Além disso, ele se tornou o líder do 3º grupo de reconhecimento à seguir para a Área Especial.

Itami e os membros de seu grupo acabam fazendo amizade com três habitantes deste mundo: a maga Lelei La Rellena, de 15 anos; a semideusa Rory Mercury, de 961 anos – mas com a aparência de 12; e a elfa Tuka Luna Marceau, de 165 anos – única sobrevivente de sua vila.

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E, após um primeiro contato, a terceira princesa do Império, Piña Co Lada, ao perceber a superioridade cultural e tecnológica do Japão, se torna a mediadora para evitar a guerra que destruiria o Império.

O foco

Originalmente uma web novel japonesa criada por um nacionalista, ex-membro do exército japonês, Gate logo se tornou uma série de light novels, seguida de um mangá – cada um com diferenças significativa em relação ao outro. Em 2015 foi lançado a primeira parte do anime, tendo sua segunda parte lançada no inicio de 2016.

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Por ter sido escrito por um nacionalista ex-membro do exército japonês, a história basicamente coloca o exército japonês tentando negociar a paz, enquanto o Império tenta vencer uma guerra que ele mesmo começou. A obra relata as diferenças tecnológicas e culturais de ambos os mundos, como o armamento, a escravidão e a busca por riquezas. Geralmente, membros do Império pensam que os “bárbaros” agem igual a eles, enquanto o Japão age de maneira totalmente diferente.

Por exemplo, o Império vive em busca de ouro, prata e bronze – para suas moedas -, enquanto o Japão busca por outros recursos que existem neste mundo, como o petróleo. Ou, quando o exército japonês salva uma cidade de um exercito de bandidos da região, a princesa acredita que o Japão irá querer tomar a cidade, quando na verdade eles apenas pedem por direitos de comércio e pelo tratamento humano dos prisioneiros.


Pontos positivos

Entretanto, apesar das tendências pacíficas, o exercito japonês sabe aterrorizar quando necessário. A princípio, o Império não acredita na superioridade japonesa ao aniquilar os primeiros quatro exércitos – uma vez que não houveram sobrevivente para contar a história. Mas conforme as batalhas prosseguem, fica evidente aos membros do Império que o Japão possui um poder o qual eles nunca tinham visto.

[…]a referência a Apocalypse Now com a cena da Cavalgada das Valquírias.

E esse é um dos pontos mais divertidos da obra. Observar o quantos eles ficam atônitos com a destruição que o exercito japonês pode causar, seja com o estrago que uma bala de rifle faz em uma armadura do Império, seja com o lançamento de morteiros em uma simples demonstração de poder, seja no estrago que apenas uma soldada faz ao enfrentar a guarda pessoal do príncipe herdeiro. E seja na destruição causada pela retaliação na descoberta de japoneses feitos de escravos.

Ao mesmo tempo, vemos a adaptação do exercito japonês com a língua falada na área especial, a adoção de um grupo de refugiados – que se transforma em uma cidade ligada ao Japão -, o possível enfrentamento contra um dragão de fogo antigo e poderoso, e o jogo político que ocorre no “nosso mundo”.

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Pontos negativos

Como eu ainda estou na fase da paixão por uma obra, fica difícil pensar em pontos negativos de Gate. Talvez os maiores problemas da obra sejam as situações que parecem ser nacionalistas demais – graças ao autor.

Outro ponto negativo é a demora em se publicar novos capítulos do mangá – embora as light novels estejam muito avançadas ao ponto de ter lançado uma nova série no final de 2015. Nos mangás, a obra apresenta cenas dignas de hentai e de filmes de terror – sangue e nudez são extremamente comuns. Além disso, o mangá possui um traço muito estranho.

Já o anime deixou tudo muito mais belo – especialmente os personagens -, e tem muito menos nudez e sangue. Entretanto, teve que cortar muitas cenas do mangá de conversas importantes e até mesmo apressar determinados seguimentos para caber nos 12 episódios de 2015. E, por fim, a obra tem tantos personagens e tantos núcleos, que quem acompanha pode acabar se perdendo.

Conclusão

É uma fantástica obra. Eu nunca pensei que ao assistir um anime, fosse ficar tão empolgado que tive que acompanhar o mangá para ver até onde iria a história. E mesmo já sabendo o que vai acontecer pelo mangá, a expectativa de como essa história será adaptada no anime me faz continuar a acompanhar episódio por episódio. E só para avisar, Gate tem muito mais coisas que esse fraco resumo que fiz.

No conjunto da obra, eu dou 9 de 10.

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Onde acompanhar

Caso você queira acompanhar Gate, aviso que a obra ainda não foi lançada no Brasil. Caso queria acompanhar o mangá em português, ele infelizmente só vai até o capitulo 18 no momento – enquanto em inglês ele está no capitulo 52.

Já em relação ao anime, os fansubs liberam ele legendado em inglês na noite de sexta-feira, e legendado em português na noite de sábado.

Para ler o mangá em inglês, pode ler aqui.

Para ler o mangá em português, pode ler aqui.

Para assistir ao anime legendado em inglês, pode baixar aqui.

Para assistir ao anime legendado em português, pode baixar aqui.

Bônus

Se você ainda tem alguma dúvida sobre Gate, permita-me mostrar uma das melhores cenas do anime, que é a referência a Apocalypse Now com a cena da Cavalgada das Valquírias.

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