O homem que enganou Hitler 4


Há alguns anos, eu ouvi uma história de um tal espião português que engano os nazistas durante a segunda guerra mundial. Um dia desses, pesquisando, decidi encontrar mais informações sobre esta história. O resultado foi ter aprendido uma das mais incríveis histórias reais da humanidade. Deixe-me apresentar o maior espião duplo da história, o homem que enganou Hitler: Garbo/Arabel.

Juan Pujol velho e jovem

Juan Pujol velho e jovem

Garbo/Arabel são, respectivamente, os codinomes inglês e alemão de Juan Pujol García, o único caso da segunda guerra onde uma pessoa se voluntariou a ser espião duplo*. Mas ao contrário do que muitos dizem, Pujol não era um espião português, e sim espanhol.

O homem que nunca disparou um tiro


Tudo começou quando Pujol foi cavalariça na guerra civil espanhola**. Pujol sentia que não era feito para a guerra, mas a obrigação militar o fazia permanecer no exercito. A família de Pujol cuidava de uma fazenda avícola, quando o marido de sua irmã fora preso pelos Republicanos, e mais tarde, sua mãe e irmã foram presas pelos Nacionalistas. Felizmente, um parente conseguiu salvar as duas. Pujol, a principio, guerreou no lado Republicano, mas suas tentativa de escapar da guerra o fez participar indiretamente dos dois lados. Em meio a tudo isso, Pujol se casou com Araceli Gonzalez, outra personagem importante desta história.

Curiosamente, Araceli foi quase que apagada da história de Pujol, devido aos problemas ocorridos após sua separação.

O homem que queria ser espião

Juan Pujol

Juan Pujol

Quando a Segunda Guerra estava em seu inicio, Pujol decidiu que deveria agir em prol do bem da humanidade, e foi tentar se tornar um espião inglês – pois poderia ao mesmo tempo ser contra a Alemanha e contra o regime do ditador espanhol Francisco Franco. Pujol tentou várias vezes entrar em contato com a Inglaterra, incluindo utilizando de sua esposa como contato. Mas a Inglaterra não tinha interesse em alguém como ele. Então, ele decidiu que precisava de um “currículo”.

A princípio, Pujol entrou em contato com os alemães, se fazendo passar por um oficial do governo espanhol fanático pelo nazismo. Ele entrou em contato com espiões nazistas, e conseguiu se tornar um deles, sob o codinome Arabel recebendo dinheiro e material para se infiltrar na Inglaterra. Entretanto, Pujol se estabeleceu em Lisboa, e conseguia passar informações da Inglaterra através de publicações portuguesas – jornais, revistas e, inclusive, guias de turismo da Inglaterra. Aparentemente, estas informações eram quase impossíveis de se conseguir nos países em guerra, enquanto em Portugal estavam abertas ao publico. Isso agradou os alemães, e por isso, deram-lhe dinheiro e material que permitiu criar uma rede de espiões nazistas na Inglaterra – sendo esta totalmente feita por agentes fictícios criados por Pujol e sua esposa.

O homem que enganou os nazistas


Tamanha a fama de Arabel/Pujol, que o governo britânico começou todo uma operação para descobrir quem era Arabel. Ao mesmo tempo, Pujol entrou em contato com oficiais americanos, que por sua vez recomendaram Pujol para os britânicos. Surpresos com o trabalho de Pujol, ele se tornou um espião para a Inglaterra, e ele e sua família foram realocados na mesma. Foi então que Pujol ganhou seu codinome Garbo.

Garbo/Arabel se tornou a arma secreta de Inglaterra contra a Alemanha. Ele apresentou muitas informações sobre os britânicos ao alemães, sendo que a maioria delas, ou estavam atrasadas ou estavam falhas. Dificilmente Garbo/Arabel apresentou informações falsas, para que não perdesse sua credibilidade. Quando isso acontecia, Arabel culpava um dos fictícios espiões de sua rede – chegando até mesmo a criarem obituários para alguns espiões de sua rede. Para facilitar a vida de Garbo/Arabel, várias operações que ele relatou aos alemães foram perdidas pela própria incompetência do exército alemão.

O homem que salvou o dia D

A rede de Juan Pujol

A rede de Juan Pujol

Garbo/Arabel foi uma das peças mais importantes do sucesso da Operação Fortitude***. Sob a orientação do governo britânico, Garbo/Arabel passou informações sobre o desembarque da Normandia, com certo atraso, além de informações de que o movimento em Normandia era uma distração, enquanto o real ataque viria de outra direção. A credibilidade de Garbo/Arabel era tamanha, que mesmo durante a batalha em Normandia, mesmo com generais pedindo reforços, uma grande unidade ficou esperando o (falso) ataque reportado pelo espião. Por sorte de Pujol, a responsabilidade pelas falhas na operação foram atribuídas a incompetência alemã, e o governo britânico fingiu a prisão de Arabel. Quando solto, Arabel teria sido obrigado a sair da Inglaterra, e por causa disso, não poderia mais ser efetivo aos alemães.

O fim

Após a guerra, Pujol foi enviado a Angola, e “morreu” de malária em 1949. Então, ele foi morar na Venezuela, onde viveu como dono de uma livraria até verdadeiro o fim de seus dias, em 1988.

* Geralmente, espiões duplos são espiões inimigos que são capturados e lhes é oferecido uma chance de trabalhar secretamente pelo lado que o capturou para evitar a prisão ou mesmo a morte. Espiões duplos são extremamente vigiados, com o receio de se tornarem espiões triplos. Garbo/Arabel foi um caso a parte, que não somente não precisava ser vigiado, como alguns oficiais se tornaram seus amigos.

** A guerra civil espanhola foi uma guerra entre os Republicanos – que representavam o governo eleito – e os Nacionalistas, um grupo rebelde chefiado pelo General Francisco Franco. Os Republicanos eram apoiados pela União Soviética, enquanto os Nacionalistas eram apoiados pela Itália e pela Alemanha. Pode-se dizer que eram Socialismo contra o Facismo. Os Nacionalistas saíram vitoriosos, e Francisco Franco se tornou um ditador facista.

*** A operação fortitude foi uma operação de desinformação feita pelo exercito para confundir os alemães para garantir o sucesso do Dia D.

Comentários

Comentários


Deixe uma resposta

4 pensamentos em “O homem que enganou Hitler