O triste fim de Marcelo Gastaldi 29


Conheça a história dos últimos dias de Marcelo Gastaldi, o primeiro dublador de Chaves.

Já escrevi diversos textos os quais tive dúvida quanto a sua publicação. Eu sempre me pergunto se cada assunto é realmente necessário ou se importa a alguém. Mas às vezes determinadas informações são tão importantes e vem de fontes tão seguras que deveriam ser repassadas. E o fato das pessoas não terem acesso a esta informação cria uma injustiça. Esta é uma delas.

Marcelo Gastaldi pode ser um nome desconhecido para a maioria dos brasileiros, mas seus trabalhos são bem conhecidos. O mais famoso deles é ter sido o dublador do personagem Chaves. Ou seja, Marcelo Gastaldi foi a voz do Chaves que todo mundo conhece.

MARCELO GASTALDI 3

Eis a história:


Na década de 80, Silvio Santos criou um estúdio de dublagem dentro do próprio SBT, que foi chamado de MAGA, para dublar as obras estrangeiras que o SBT comprava. Marcelo Gastaldi, que não somente foi dublador da MAGA, como foi chefe de dublagem de várias obras, incluindo o Chaves.

Gastaldi foi dublador até a descoberta de um câncer no sangue. Deixando de trabalhar e iniciando tratamentos, Gastaldi começou a ter diversos problemas financeiros – ao contrário do que muitos pensam, pois o trabalho de dublador não rende muito dinheiro. E por fim, em sua morte, dois anos depois, sua família ficou na miséria. Sua esposa estava lavando roupa para fora e assim poder dar de comer aos filhos.

Isso tocou muito os colegas de dublagem de Gastaldi, e por meses, eles reuniam dinheiro de ao menos um salario minimo – da época – para a viúva de Gastaldi. E posteriormente, foram contatar o Silvio Santos.



Segundo dubladores, Silvio Santos foi contatado e avisado da situação da viúva e dos filhos de Gastaldi, e lhe foi pedido que auxilia-se com pelo menos dois salários mínimos para que ela não morresse de fome. A justificativa dos dubladores é de que Silvio Santos passa Chaves há tantos anos e, por ser garantia de audiência, já rendeu tanto dinheiro ao SBT, que poderia fazer este favor para um dos responsáveis para que Chaves seja o que é.

Infelizmente, no Brasil, os dubladores não tem nenhum direito no que diz respeito a suas vozes. Fazem seu trabalho e recebem seu pagamento pelo tempo gasto para realizar a dublagem. E nada mais. As empresas contratantes exibem as obras na TV o quanto querem, lançam DVDs, Blu-Rays, etc, utilizando o trabalho de dublagem para ganhar muito dinheiro, e nada repassam aos dubladores.

Acontece que em outros países o uso da voz do dubladores é sempre negociado para cada midia para qual é lançada, principalmente nos Estados Unidos.

Pois bem, a resposta de Silvio Santos foi uma negativa.

No fim, os colegas conseguiram ajudar a viúva de Gastaldi até quando ela conseguiu um emprego para se sustentar. Atualmente, diversos dubladores vem exigindo na justiça o pagamento pela utilização de suas vozes em outras mídias que não aquela para qual originalmente foi feita.

Querem ouvir mais? Escutem esta entrevista com Flavio Dias D’Oliveira, dublado do Beakman, no Renegados.

Vocês também podem ler sobre o caso neste link.

Alguns trabalhos de Gastaldi

Monty Python – Olhe Sempre Pro Lado Bom Da Vida

Marcelo Gastaldi e Osmiro Campos em A Feiticeira

Super Heroi Americano

O primeiro beijo de Charlie Brown

Atualização

O nosso leitor Paulo Verde reportou que a família de Gastaldi ganhou posteriormente na justiça. A fonte cita o site Consultor Jurídico, mas nada encontrei sobre o assunto no site do Corretor Juridico. Quem tiver informações da fonte original, favor, avise!

Comentários

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29 pensamentos em “O triste fim de Marcelo Gastaldi

  • Bruno Trindade

    Meu essa situação é lastimável, infelizmente o grande publico só toma conhecimento do glamour da profissão e casos como esse passam desapercebido, felizmente com o advento da internet muitos podres vêem a tona e podemos tomar conhecimento do Mundo como ele realmente é, sem toda essa maquiagem que a mídia coloca… excelente texto, e obrigado pela citação.

  • Flavio Dias

    Agora, tanto tempo decorrido, é importante q fique o registro da absurda situação q ainda se repete, em 2013, com o uso da dublagem indiscriminadamente, e sem pagamento dos direitos por seu uso. O Gastaldi e sua familia poderiam ter sido socorridos e mantidos, apenas com o pagamento dos direitos pelo uso de sua voz em “CHAVES”! Obrigado por tua coragem e apoio. abç

  • marauder

    sim, dubladores não tem o devido reconhecimento, ganham pouco e muitos filmes ainda usam os atores malas da globo como dubladores tirando o emprego dos que realmente merecem.

  • eron

    Fique supreso por o Silvio Santos negar ajudar a viuva deste dublador,Silvio Santos não é aquele que vive no seu programas jogando dinheiro ao seus publicos dizendo quem quer dinheiro,o Silvio Santos não aquele que tem uma vez por ano o teleton,para ajudar as crianças pobre,se nega dar ajuda a um ser humano,que seu marido trabalhou com ele,tudo bem ele não é obrigado mas ele é milionario e se passa por bozinho para os pobre,é Silvio Santos engana que eu gosto.

    • Marcos

      O texto pode ter alguns erros de português, mas passa muito bem o recado pretendido. Através dele ficamos sabendo o que se passou com Marcelo Gastaldi no fim de sua vida, o sofrimento da esposa, o desamparo de ambos, e a má condição da profissão de dublador no Brasil. As vozes desses profissionais são exibidas por anos e anos, inclusive em mídias diferentes, e os mesmos não recebem direitos por isso. Além disso, mostra, se realmente a informação procede, a “humanidade” e “gratidão” do tão idolatrado Silvio Santos.

    • Rafael Portillo Autor do post

      Na época da morte de Gastaldi, não era possível fazer o pagamento do INSS como autônomo. E como a profissão de dublador “não existe” para a lei, era mais difícil para os dubladores terem seus direitos.

  • José Luís

    Matéria completamente sem dados importantes, tais como, quando ele morreu, quando foi feito o pedido de ajuda. Fora a péssima redação e péssimo português.

    • Luísa Madalena

      José Luís, talvez você seja muito jovem e não conheça o wikipedia ou o google. entre no site http://www.google.com.br e digite marcelo gastaldi wikipedia. o que você procura está lá. gostaria de dizer para terminar que se você for maior de idade é um mal-educado.e se for de menor é um futuro mal-educado. modere seus termos antes de julgar os outros, acredito que se você trabalha em algum lugar, nunca deve ter julgado assim na cara dura o seu chefe, duvido muito, pois se agir assim na vida, tu leva um pé na bunda na hora e vai sofrer na vida se não mudar. mude seu jeito e deixe de ser um bobalhão ou um futuro bobalhão

  • Carlos

    Esse é o maior problema em nosso país, o próprio povo. O Brasileiro tem o mau hábito de culpar os outros e o governo por suas mazelas pessoais.. Invasões de terras em áreas públicas e particulares, acontecem por muitos usarem a desculpa da falta de moradias, mas casos à parte, muitos não passam de vagabundos, que querem vida fácil. Atos que a meu ver não passam de roubos(ato de se apropriar de algo que não é seu por justiça), Wilza Carla, Garrincha, Viana Junior(são exemplos que eu me lembro)de pessoas que passaram necessidades no fim da vida. Durante o auge da fama, não souberam administrar o dinheiro para a aposentadoria. Não digo que todos os casos são iguais, mas já fui trabalhador com carteira assinada por muitos anos, e hoje sou comerciante autônomo, mas recolho o meu imposto trabalhista, mesmo sabendo que não será uma aposentadoria digna, e também cuido da saúde, para não ter que gastar tudo em remédios, quando a idade avançar!.

  • Garanhão italiano

    É aquele velho ditado popular “quanto mais rico mais miserável,pão duro a pessoa é”. Silvio Santos não é obrigado,mas seria um pequeno reconhecimento pelo trabalho prestado no seria Chaves.

  • mvvd

    Por isso que só assisto filmes legendados.
    Devia haver direitos autorais sobre a voz dos personagens dublados.
    Lima Duarte,disse certa vez que foi ele que dublou pela primeira vez o perna longa,e inventou o bordão “que isso velhinho ?”e se recebesse por isso estaria “rico”.

    • Rafael Portillo Autor do post

      Gastaldi morreu em 1995, e pelas informações que tenho, o INSS não tinha as mesmas facilidades dos tempos atuais. Por exemplo, o INSS só começou a aceitar o pagamento de autônomos durante a década de 90. Se a viúva de Gastaldi ganhou pensão – informação que não consegui através dos dubladores – provavelmente ela era de um salário mínimo, se o Gastaldi chegou a pagar o INSS pelo estúdio MAGA.

  • Miguel S. G. Chammas

    Eu, por intensa felicidade, convivi com mo Gastaldi nos anos 60 quando participamos do projeto Teatro da Juventude no Teatro Bela Vista, promovido pela dama do teatro Nidya Licia. Alem do Marcelo participavam do projeto a cantora Tuca, o ator Osmar Prado, eu e muitos outros atores, todos dirigidos pelo famoso Libero Miguel.
    Marcelo era a alegria em pessoa e eu não tinha conhecimento da tragédia de seu final de vida.
    Espero que Deus tenha lhe acolhido com muita luz!

  • pandre666

    Ele pagou INSS tantos anos pra que? Pra pedir pro SIlvio Santos? Temos que acabar com essa visão que as empresas são instituições de caridade. Elas visam lucro. Ele quis trabalhar lá, teve um contrato de trabalho, recebeu direitinho. Morreu. 2 anos depois a família quer dinheiro? Ora, eu também não daria.

    • Rafael Portillo Autor do post

      A informação que tenho era que Gastaldi não tinha como pagar INSS por causa das leis de época. A profissão de dublador “não existe”, e a questão do pagamento como “autônomo” é de meados da década de 90. Gastaldi morreu em 95, portanto, a família entrou em contato com Silvio em 97.

      • Paulo Verde

        Rapaz, sua matéria esta incompleta e com erros de português, ok? vou lhe ajudar somente esta vez..
        -SBT é condenado a pagar herdeiros de Marcelo Gastaldi-
        O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou, por unanimidade, o SBT a pagar indenização por dano moral e material aos herdeiros do dublador do programa “Chaves” e “Chapolin”, que já morreu. De acordo com o relator da Apelação, o juiz convocado Helio Faria, a emissora afrontou a Lei de Direito Autoral ao reexibir episódios com a voz do dublador sem a sua autorização. Além disso, a emissora usou músicas do artista sem atribuir crédito ou efetuar pagamentos devidos. Da decisão ainda cabe recurso.

        Em primeira instância, o juiz da causa entendeu que o SBT não era parte legítima no processo, conforme o artigo 267, VI, do Código de Processo Civil, pois uma empresa contratada fez a dublagem e sonorização do programa mexicano. Assim, a TV não teria responsabilidade quanto ao direito violado, considerando que o autor deveria buscá-lo junto àquelas empresas. A empresa de sonorização e dublagem tinha como sócio o próprio dublador. O juiz adotou a mesma posição em relação à responsabilidade do SBT na execução das músicas interpretadas e criadas pelo artista para os personagens Kiko, Chiquinha e Madruga.

        A 1ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP, no entanto, reverteu a sentença e decidiu que a responsabilidade da emissora existe, sendo ela parte legítima para atuar no processo. O relator cita o professor Cândido Rangel Dinamarco, que define que a legitimidade para o processo pode ser observada pela relevância que o resultado da causa terá sobre a esfera de direitos das partes, favorecendo ou restringindo. “Daí a conceituar-se essa condição da ação como relação de legítima adequação entre o sujeito e a causa.”

        A cada exibição do programa há um ganho econômico da emissora, que reflete em aquisição de direitos patrimoniais a serem repassados aos titulares da obra. Ainda de acordo com o tribunal, esse entendimento justificaria dizer que a emissora é também a responsável pelo pagamento de indenização por direitos autorais. E, mesmo sendo contratada uma empresa terceira para a dublagem, o fato não a desobriga de repassar tal ganho aos artistas. “Pouco importa que o apelado tenha contratado terceiro para a sonorização dos programas, podendo voltar-se contra quem de direito na via adequada, para exercer eventual direito de regresso.”

        De acordo com o processo, o trabalho de dublagem foi contratado pela emissora, tendo ocorrida a devida remuneração já que a empresa tinha como sócio o próprio dublador. A ofensa aos direitos conexos, portanto, se fundamentaria apenas na exibição do programa “Chaves” e “Chapolin”, onde os créditos não foram incluídos.

        No entanto, com a vantagem econômica obtida com reexibições, “a não remuneração aos apelantes configuraria enriquecimento sem causa, o que é vedado pelo ordenamento jurídico”. Assim, a ofensa aos direitos autorais passa a ser fundamentada pelas reprises dos programas, com músicas de autoria do artista sem a devida autorização e remuneração.

        Direitos Conexos
        Ao reexibir o programa, a TV tem ainda o dever de observar não só os direitos do autor, mas os direitos conexos à obra, como de “intérpretes ou executantes”, conforme artigo 89 da Lei 9.610/98. Esses direitos conexos relacionam-se a todos os “atores, cantores, músicos, bailarinos ou outras pessoas que representem um papel, cantem, recitem, declamem, interpretem ou executem em qualquer forma obras literárias ou artísticas ou expressões do folclore”, descreve o artigo 5º, XIII, da Lei de Direitos Autorais.

        A garantia aos direitos autorais é constitucional, prevista no artigo 5º, XXVII, e por legislação especial (Leis 5.988/73 e 9.610/98). Já quanto à violação de direitos conexos, a legislação brasileira não define sua forma de indenização, dependendo de interpretação. Uma alteração feita em 2009, com a Lei 12.091, inclui a necessidade de se mencionar em cada cópia da obra o nome dos dubladores, concedendo a eles o devido crédito. A dublagem, portanto, fica evidente como direito conexo ao direito do autor, pois sua voz se torna conhecida do público.

        A obrigatoriedade de registro das obras é uma opção do autor, não sendo elemento indispensável para a proteção de seus direitos. Mas a autorização prévia do autor é essencial para utilização direita ou indireta da obra. A lei considera ainda que a morte de qualquer participante da obra artística não é obstáculo para sua exibição pelo autor, mas a remuneração prevista deve ser efetuada para os sucessores (art. 92, parágrafo único).

        Os herdeiros do autor têm os direitos morais ou patrimoniais em reexibições da obra. O prazo para proteção desses direitos é de 70 anos, contados a partir de 1º de janeiro do ano seguinte à sua morte, observando os direitos dos sucessores.

        O dano material indica a remuneração pela reexibição dos programas e pela utilização da música do autor. O valor considerado para o caso foi fixado em R$ 100 mil, acrescido de correção monetária. Já o dano moral, no entendimento do tribunal, está relacionado constitucionalmente à dignidade humana. “Temos hoje o que pode ser chamado de direito subjetivo constitucional à dignidade, a qual deu ao dano moral uma nova feição diante do fator de ser ela a essência de todos os direitos personalíssimos honra, imagem, nome, intimidade, dentre outros.” A indenização por dano moral, verificada a violação, impõe-se a devida reparação foi fixada em R$ 50 mil, com a correção monetária.

        Fonte: Consultor Jurídico, Paulo Verde, da Sociedade Esportiva Palmeiras.

        • Rafael Portillo Autor do post

          Obrigado pela informação.

          A fonte para esta matéria, entre outras, foi o dublador Flavio Dias. Ele próprio não me passou nenhuma informação sobre o que ocorreu posteriormente. Talvez nem mesmo ele saiba. Vou avisá-lo, e qualquer comentário eu posto aqui,

  • Jairo

    Esse é Silvio Santos que alguns acreditam ser um cara super legal, do bem, honesto santo homem que dá dinheiro para os pobres e que diverte o povão falando bobagens na TV de domingo à noite, com seus trejeitos típicos. Ainda bem que a mim essas pessoas da telinha nunca enganaram. Muito pelo contrário, tenho vários pés atrás com relação a esses ricassos que posam de caridosos na mídia só para ganhar mais dinheiro, à la Didi, Luciano Huck, Xuxa, etc.

  • Eduardo Tanabe

    Mas afinal do que ele morreu? Aqui diz que foi leucemia, em outros sites dizem que foi diabetes, morte cerebral e até mal súbito, ou foi tudo junto? Acho uma pena a falta de gratidão do SBT com seus colaboradores, principalmente por ser alguém que fez parte da dublagem do Chaves, programa que sempre tem audiência garantida. Como empresa o SBT pode entrar na justiça para não pagar. Mas acho que a gratidão e o bom senso poderiam falar mais alto dessa vez.